A arte ao redor da câmera

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A emoção do cinema é acreditar na ficção, a arte é emocionar através dela. Quase como na literatura, mas apenas quase. Isso porque no cinema é possível e necessário explorar e trabalhar diversos ramos artísticos que apenas começam na parte textual. Mas, é preciso ter cuidado, pois, essa abrangência oferece muito mais elementos que podem tanto engrandecer quanto acabar com uma obra.

No Curso Prático de Cinema da Cinemateca estudamos separadamente cada segmento artístico do audiovisual. Com os professores Eduardo Baggio e Francisco Alves dos Santos aprendemos como uma invenção capaz de capturar imagens em movimento se transformou em um equipamento com o poder de contar histórias e percorreu o Brasil e o mundo transformando sua linguagem até se tornar o cinema que conhecemos hoje.

O professor de roteiro, Alexandre Tadeu nos mostrou que sem o roteiro não há filme, e que esse é um guia essencial para organizar o trabalho da direção. O cineasta Pedro Merege confirmou, e nos mostrou que um bom diretor tem que ter humildade e respeito, pois, está interligado com toda equipe e o andamento da produção depende de seu trabalho.

Com Ulisses Galetto descobrimos que o som cria toda atmosfera de um filme e que, quando mal trabalhado, pode fazer as melhores produções parecerem amadoras. O mesmo nos foi provado sobre a importância da fotografia, dessa vez na prática, com Celso Kava. Enquanto Fernando Severo nos mostrou que sem edição e montagem o cinema não seria nada.

Guto Pasko nos assustou quando falou sobre a difícil realidade de quem trabalha com cinema no Brasil, mas logo deu uma injeção de ânimo ao falar sobre a popularização do audiovisual através da tecnologia digital. Não demorou pra que comprovássemos, na prática, que fazer cinema não se resume a gravar em película, e que, com uma boa idéia e muita dedicação é possível fazer grandes trabalhos também em formato digital.

Quando começamos a produzir o curta formos orientados pelo Pioli (Geraldo) e pelo Marquinhos (Marcos Sabóia), e aos poucos passamos a entender melhor as dificuldades mencionadas nas aulas teóricas. Nesse momento compreendemos que a essência do cinema não é apenas aquilo que vemos nas telas, ou o que sentimos ao ver um filme. A magia do cinema está ao redor da obra final, em toda composição, em cada detalhe pensado e trabalhado visando emocionar o espectador, seja como for.

Ricardo Almeida

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